O Instituto Nacional de Câncer (INCa) José Alencar Gomes da Silva, no Rio, estima que nos próximos dois anos serão registrados no país 520 mil novos casos de câncer. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira e fazem parte da publicação “Estimativa 2012 a 2013”, que destaca os tumores mais incidentes nas regiões do país. O evento no INCa marca o Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado em 27 de novembro.
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Para os oncologistas, as estimativas são a principal ferramenta de planejamento e gestão da saúde pública, porque permitem o planejamento de forma regionalizada, afirma Luiz Antonio Santini, diretor-geral do INCa. Na publicação foram incluídas sete novas localizações de tumores: bexiga, ovários, tireoide (sexo feminino), sistema nervoso central, útero, laringe (sexo masculino) e linfoma não Hodgkin.
No sexo masculino, além do câncer de pele não melanoma (o mais letal em pele), o tumor de próstata continuará sendo o mais comum com 60.190 novos casos em 2012 e 2013, seguido por pulmão, traqueia e brônquios (17.210), cólon (parte do intestino) e reto (14.180). Nas mulheres (desconsiderando câncer de pele), o câncer de mama terá 52.680 casos, seguido de colo do útero (17.540) e cólon e reto (15.960). O que chama a atenção é que no sexo feminino o câncer de tireoide já ocupa o quinto lugar, com 10.590 nos próximos dois anos.
Com relação à tireoide, a oncologista Rossana Corbo, responsável pelo Serviço de Endocrinologia do INCa, afirma que a melhora na qualidade dos exames e da investigação em casos suspeitos, contribui para a exatidão do diagnóstico de alterações malignas. Um resultado de ultrassonografia que indique suspeitas da doença deve ser avaliado por meio de punção aspirativa e biópsia. E isso se reflete no aumento do número de casos desse tipo de tumor, diz a médica.
Já o oncologista Cláudio Noronha, coordenador de ações estratégicas do INCa, afirma que ações de promoções da saúde, diagnóstico precoce e ampliação do acesso aos serviços aumentam a longevidade. Porém, quanto mais velha a população, maiores as chances de alguns tipos de câncer aparecerem, comenta Noronha.
Mas os fatores ambientais e hábitos pesam. O câncer de pulmão, por exemplo, aumenta 2% ao ano em todo o mundo. E cerca de 90% dos casos estão associados ao hábito de fumar. Isso significa que pelo menos 24 mil novos poderiam ser evitados, com o fim do tabagismo. No Brasil, esse tipo de tumor é o segundo mais frequente na região Sul: 37 casos para cada 100 mil habitantes; área que concentra a maior parte da produção de fumo do país. No Sudeste, serão registrados 20 casos de câncer de pulmão para cada 100 mil.
No caso de câncer de cólon, o segundo lugar na região Sudeste (22 casos para cada cem mil), os principais fatores de risco são envelhecimento, história familiar da doença em parentes próximos, excesso de peso e dieta inadequada, com poucas fibras. O abuso crônico de álcool é outro fator de risco para esse tipo doença, alerta o nutricionista Fábio Gomes.
Com relação ao câncer de estômago, o maior fator de risco é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori. E ainda alimentação pobre em vitaminas A e C, alto consumo de alimentos enlatados, embutidos, com corantes e outros aditivos.
Já no que diz respeito ao câncer de mama, a idade é o principal fator de risco, especialmente acima de 50 anos. No Brasil, além do exame clínico de rotina, com o ginecologista ou mastologista, o INCa recomenda a mamografia a cada dois anos, dos 50 aos 69 anos.
— Nos casos em que a mulher tem história familiar da doença, recomenda-se que o exame clínico e a mamografia anualmente a partir dos 35 anos — diz a oncologista Ana Ramalho, coordenadora da Divisão de Atenção Oncológica do INCa.
Para a prevenção do câncer de colo do útero, causado pelo papilomavírus humano (HPV), o Ministério da Saúde recomenda que as mulheres de 25 anos aos 64 anos façam o exame preventivo (o Papanicolau) anualmente. Se no intervalo de dois exames seguidos om resultado for normal, o preventivo pode ser feito a cada três anos. Hoje já existem as vacinas que protegem contra o HPV. O Globo

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