quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aqui o cliente não é o rei nem no século 21: Loja demite funcionários que obrigaram cliente a limpar tapete com xixi de bebê no Espírito Santo



Uma semana depois de uma empresária ter sido obrigada a limpar um tapete numa loja de departamentos de um shopping de Vila Velha, no Espírito Santo, o estabelecimento emitiu nota pedindo desculpas e informando a demissão dos funcionários envolvidos no caso. Maria José Madeira passou constrangimentos na frente de clientes da loja Riachuelo depois que o xixi vazou da fralda de sua filha de 2 anos e molhou um tapete. (Foto Reprodução TV Gazeta/Afiliada TV Globo: A empresária Maria José foi obrigada a limpar o xixi que vazou da fralda da filha)

Em nota, a loja de departamentos informou que lamenta o ocorrido e pede desculpas à cliente. A empresa decidiu demitir os três funcionários envolvidos e concordou que eles agiram incorretamente.

"Mesmo com o pedido de desculpas, penalmente a empresa não está isenta de responsabilidade sobre o ato praticada"

- Isso não tira a culpa da loja que é responsável em contratar e treinar esses funcionários - garante a cliente.

A Delegacia de Apoio ao Consumidor investiga o caso.

- Já estamos providenciando as intimações e até o final da semana todos os envolvidos serão ouvidos. Mesmo com o pedido de desculpas, penalmente a empresa não está isenta de responsabilidade sobre o ato praticado - diz o delegado Darcy Arruda.

Maria José Madeira havia reservado o dia para fazer compras com as filhas. Enquanto ela escolhia com a filha mais velha, a menor ficou sentada numa pilha de tapetes. Foi quando o xixi teria vazado da fralda da menina de 2 anos.

- Daqui a pouco um funcionário da loja começou a falar alto: "A criança urinou no tapete, não posso vender um tapete cheirando urina" - conta Maria José.

Segundo a empresária, o rapaz chamou outros funcionários e afirmou que ela teria de comprar o tapete.

Maria José contou que pediu calma ao rapaz e disse que era só limpar. O vendedor teria então retrucado "É só limpar? Então pega um pano e dá para ela limpar". O pano e um produto de limpeza foram dados na mão da empresária, que pediu a uma amiga para gravar a cena com um telefone celular. Nas imagens, ela aparece tentando limpar a mancha no tapete. Uma mulher do setor de limpeza da loja ficou ao lado dela, sem fazer nada.

O professor de direito do consumidor Igor Brito diz que um consumidor não pode ser obrigado a comprar algo que não queira e nem a pagar por um produto ao qual causou dano acidentalmente. Brito ressalta ainda que ela não poderia ser obrigada a exercer uma tarefa que é da loja.

Para ele, o risco de acidentes já está embutido no preço dos produtos e a empresária pode pedir indenização por danos morais. O Globo

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